23 Abril 2009

Bráulio Mantovani sobre Cidade de Deus e Tropa de Elite

Vasculhando emails...

23/11/07
Olá Bráulio, como vai?

Sou editor de cultura da Revista VIP e queremos fazer uma matéria contigo. Seria uma comparação de estilos entre American Gangster, o novo do Ridley Scott, e os brasileiros Cidade de Deus e Tropa de Elite. Nós assistiríamos juntos ao filme e você faria uma análise de alguns momentos chave. A idéia é mostrar que, em alguns aspectos, nosso modelo "favela movie" superou o "gangster movie" deles.

O que você acha?

Obrigado, um abraço.
--
Maurício Svartman
Revista VIP

16/12/07
Oi, Maurício.
Eu viajei muito nos últimos tempos a trabalho e não consegui dar conta dos e-mails. Estou muito lisonjeado com seu convite. O problema é que eu estou atolado de trabalho. Não vou conseguir ver os filmes com você e fazer as análises. É uma pena. Mesmo assim, obrigado pelo convite e desculpe por demorar tanto para responder.
abcs,

B

17/12/07
Olá, Bráulio.
Obrigado por responder meu email. Se não for muito trabalho, gostaria de uma ajuda rápida em outra matéria. Pode ser por email mesmo.
Quero saber de você qual dos livros foi mais difícil de adaptar para as telas: Cidade de Deus ou Tropa de Elite. E uma declaraçãozinha de pelo menos parágrafo. Pode ser?
abraços e obrigado,
Maurício

17/12/07
Essa é mole. Porque na verdade eu só adaptei Cidade de Deus. Alguém na imprensa comeu bola e a notícia equivocada se espalhou. Quando o livro Elite da Tropa foi escrito, já havia pelo menos uma versão do roteiro do filme Tropa de Elite. O livro ficou pronto antes porque o processo editorial é muito mais ágil que o da produção de um filme. E daí criou-se a confusão. Mas eu ainda nem li o livro Elite da Tropa.
abcs,
B

17/12/07
Putz! A maneira como essas notícias são criadas está além da minha compreensão...
Mas o Tropa saiu do zero, então? Só com a ajuda do Rodrigo Pimentel? Teve alguma inspiração no Notícias de uma Guerra Particular?
abs

17/12/07
Quando eu entrei no projeto já havia um primeiro tratamento do roteiro escrito pelo Zé Padilha e pelo Rodrigo Pimentel. Eu trabalhei inicialmente como "script doctor". Quer dizer: uma espécie de consultor. Li, dei palpites, li novas versões, dei novos palpites. Até que acabei entrando como roteirista mesmo. Reestruturei o roteiro. O Zé voltou a mexer no roteiro. Ficamos no pingue-pongue por um tempo: ele fazia alterações e enviava o roteiro para mim. Eu fazia ajustes e enviava para ele. Aí ele filmou. Durante o processo de montagem, reestruturamos o roteiro junto com o Daniel Rezende (montador) em função do incrível desempenho do Wagner Moura. O Capitão Nascimento era um personagem secundário. Cresceu tanto graças ao Wagner Moura que acabou tornando Matias (o protagonista original) um personagem menos interessante. Daí que resolvemos recontar a história do ponto de vista do Capitão Nascimento. Isso significou uma nova narração em off e uma complicada reestruturação na ordem das cenas.
Até onde eu sei, Notícias de uma Guerra Particular não inspirou nem influenciou o Zé Padilha a fazer esse projeto. A idéia surgiu enquanto ele fazia Ônibus 174. Ele entrevistou os policiais do Bope e se interessou pelo universo deles.

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