31 Julho 2006

O puto e os filhos da puta

Estou cada vez mais puto com a corrupção dos nossos políticos. Ao meu ver, acontece da seguinte maneira, bem ao estilo policial novato:

1) O cara é eleito, na maior parte das vezes com boas intenções.

2) Logo que chega no Congresso, é alertado pelos mais antigos: "Não invente. Aqui nada funciona pelos meios convencionais. Se não der dinheiro, não passa nenhuma lei. Se não receber, fica mal visto. Todos ganham por fora, você prefere receber X ou 5X? Se alguém é condenado por isso? Que nada, no máximo sai matéria na Veja e tal, mas 2 meses depois ninguém lembra do seu rosto, porque tem um escândalo novinho no forno."

3) A CPI não dá em nada, o cara se candidata novamente.

4) Quem vota não dá a mínima pra se o cara foi acusado de alguma coisa. Se o político promete melhorias pra região do eleitor, é isso que importa. O pensamento do brasileiro é voltado para ninguém que não seja ele mesmo. Cidadania zero.

5) O político corrupto se reelege e se perpetua no cargo, enriquecendo ilicitamente e, nos intervalos, sugerindo projetos para educação e saúde, dos quais tirará sua fatia no orçamento.

Acho que essa é a origem de todos os nossos males. Não dá pra ter esperança se aqueles pouquíssimos que deveriam nos representar não têm caráter.

28 Julho 2006

Rogério Ceni marcou 62 gols pelo São Paulo: 40 de falta e 22 de pênalti. Marcou em 60 jogos (em três deles, duas vezes). Foram 49 vitórias e 11 empates. Ou seja, se o maior ídolo da história do SP balançar as redes, pode ter certeza: não perderemos!

25 Julho 2006

Na mesa redonda da ESPN Brasil de ontem, revolta com a contratação de Dunga. "Eles estão brincando de fazer seleção brasileira", bradou Paulo Vinícius Coelho.

24 Julho 2006

Nada como iniciar um novo blog motivado pela revolta... A revolta não é com nada sério, como a guerra Israel-Líbano ou os ataques do PCC. É com a contratação do Dunga para técnico da seleção brasileira. Explico.

Dunga sempre foi um volantão viril, com relances de técnica e muita, muita raça. Um jogador que você gostaria de ter no seu time simplesmente para não ter de enfrentá-lo. Na época de seu auge (a Era Dunga), tinha paralelos em outros volantes brucutus, como o argentino Diego Simeone. Hoje em dia, tem como seguidores os Paulo Almeidas da vida. Eu não gostaria de tê-los em meu time, mas compreendo quem os queira fazendo o trabalho sujo do time, como Felipão. Aí é que nasce o problema.

O estilo Dunga foi criado para parar o jogo bonito, para deter os dribladores, para ganhar de 1 a 0, de preferência com gol de pênalti. Por isso são tão belas - e emblemáticas - as imagens dos chapéus que Ronaldinho Gaúcho, então com 19 anos, aplicou em Dunga, 35, nas finais do Campeonato Gaúcho de 1999. Era a arte superando o pragmatismo.

O Brasil dominou o planeta de 1958 a 1970 porque jogava o futebol mais vistoso, porque tinha Pelé e Garrincha. Em 1974, com o futebol total holandês e a maior revolução vista neste esporte, o mundo passou a correr mais. E a forma física dos jogadores passou a contar mais que a técnica, a defesa mais que o ataque. O Brasil demorou a se adaptar. Vinte e quatro anos, para ser preciso. Em 1994, já com Parreira, a Seleção provou que poderia jogar feio - e vencer. Não conheço quem louve a conquista de 1994...

A saída de Parreira deu início a uma desintoxicação. A técnica dos jogadores lutando bravamente contra os anseios defensivos dos treinadores. Em 1998, o Brasil jogou para frente. Zagallo ainda era deveras old school para armar um time defensivamente. Mas a sombra de Parreira ainda estava presente, e o meio-termo não foi atingido. Na final, a marcação francesa imperou sobre um time já abalado pela convulsão de Ronaldo. Mas não esqueçamos a derrota para a Noruega na primeira fase. O Brasil chegara cambaleando à decisão.

Em 2002, Felipão ensinou aos três zagueiros do Brasil que, ao lado de Émerson, teriam de parar o ataque adversário enquanto os outros seis jogadores de linha do time atacavam. Deu liberdade de criação à seleção brasileira. Na medida exata: sete jogos, sete vitórias, 18 gols pró, 4 contra. Ronaldo artilheiro da Copa. Parecia que tempos novos estavam por vir.

Na Copa das Confederações de 2005, já novamente com Parreira, a Seleção atingiu seu auge na decisão. Depois de derrota para o México e empate com o Japão na primeira fase, o técnico parou de lutar contra o óbvio e deixou a equipe atacar. Na semifinal, 3 a 2 na Alemanha. Na final, 4 a 1 na Argentina. Poderia ser 8. Tudo azul, Brasil favorito para ganhar a Copa, coisa e tal. A técnica, enfim, superara o pragmatismo do resto do mundo. Contra todas as tendências, um time era favorito simplesmente porque... jogava mais bonito que o resto.

Mas veio a Copa. E, com ela, os conflitos internos de Parreira. O time (titular) deveria defender. Afinal, o mundo inteiro estava defendendo. Já que Ronaldo e Adriano se recusavam a marcar, Kaká e Ronaldinho Gaúcho não podiam subir ao mesmo tempo. Robinho? Era muito franzino para ser titular. O futebol moderno requer força, a defesa tem de prevalecer sobre o ataque. Ganhar jogando bonito é, enfim, utopia. Also sprach Parreira.

Luxemburgo surgia como opção pós-Copa. À parte seu inexaurível estrelismo, era a melhor opção no país. Felipão não queria participar do desgaste das eliminatórias. Sobrava o prepotente Luxa, último defensor do futebol pra frente. Ok, talvez não o último, mas o mais competente. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, não curte o treinador. Acha que ele quer brilhar mais que seus comandados. A opção? Um laranja, inexperiente como técnico, porém com um passado marcado pela conquista de uma Copa como jogador.

O objetivo? Aposentar Émerson, Cafu, Roberto Carlos, Dida e Ronaldo. O argumento? A opinião pública queria garra no banco da Seleção, traumatizada com a passividade de Parreira.

Deve ter ocorrido mais ou menos assim: Teixeira sonda Felipão, iguala o milionário salário que o gaúcho recebe em Portugal. O treinador diz: "Nem fudendo, tchê. Os dois primeiros anos das Eliminatórias são um moedor de técnicos. Chama alguém pra ficar nesse período que eu assumo depois." "Como quem?", perguntou o cartola.

"Oras, a Seleção precisa de garra. Pega o Dunga, que não tem como ninguém falar mal, porque ele não tem experiência, e fala que depois da Eurocopa ele vai virar meu auxiliar. Quatro anos de experiência na Seleção vão dar currículo suficiente para ele assumir qualquer clube do Brasil depois da Copa."

Teixeira, como era previsto, apreciou e acatou a sugestão. E cá estamos nós. Bom, eu acredito que treinador que não fala palavrão não presta. Incluo aí Parreira e Autuori. Pelo menos desse mal o Dunga não sofre.