19 Outubro 2011

Esse erro chamado ser humano - Parte 1

As características mais prejudiciais do Homo sapiens sapiens aparecem quando a espécie se encontra em bando.

Um exemplo: um membro da espécie deseja se exibir para outros membros, digamos, por meio de um tênis novo. Como não tem meios para comprar o objeto que cobiça, decide tomar dinheiro de outros membros. Nosso protagonista então arregimenta outros interessados em tênis novos e realiza um sequestro-relâmpago com um membro de classe média. Já com seus 500 dinheiros na mão e temerosos da possibilidade de reconhecimento facial, os membros da gangue atiram na cabeça do assaltado.

Fossem uma espécie racional e dotada da capacidade de diálogo, os homo sapiens sapiens assaltantes poderiam fazer uma proposta para o homo sapiens sapiens assaltado: "que tal você ficar vivo e não nos delatar?" No que o homo sapiens sapiens assaltado responderia: "aceito a sua proposta. Afinal de contas, são apenas 500 dinheiros e um carro. Acabo de perceber que isso não tem tanto valor assim. Prefiro ficar vivo e não faço a menor questão de delatá-los." Mas não.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/irma-de-jovem-morto-diz-que-apelou-internet-apos-descaso-da-policia.html

Nosso protagonista então gasta os 500 dinheiros, compra seu cobiçado tênis e vê que o ornamento não foi suficiente para conquistar a inveja dos outros membros. Talvez um celular novo...


Amanhã: por que somos obrigados a ter orgulho de nossas origens?

11 Janeiro 2011

Histórias do Nordeste - Parte 2

Nos passeios pelas cidadezinhas dos Lençóis Maranhenses, só víamos crianças – nas casas, nas ruas, carregando sacos, cuidando de animais e até de outras crianças. E, engraçado, muitas delas loirinhas, com irmãos morenos. Parecia a Terra do Nunca. Perguntei a respeito para um morador da região, que esclareceu: "Os pais dessas crianças são membros de associações ou sindicatos de pescadores ou de trabalhadores rurais. Quando alguma casa daquelas tem uma mulher grávida, a residência recebe R$ 2800 de auxílio. A mãe, quando chega a (X) meses, recebe uma licença-maternidade de 4 meses. Então aquilo ali vira uma verdadeira fábrica de filhos. Por isso que quando um estrangeiro passa por uma dessas casas e cobiça uma garota de 14 anos, o pai oferece ela pra ele, fala 'pode botar um filho dentro dela e ir embora', e ainda oferece um cafezinho."

10 Janeiro 2011

Histórias do Nordeste - Parte 1

Cozinheira de uma pousada de Jericoacoara (CE): "Fui demitida do meu último emprego porque pedi uma folga depois de TRÊS MESES trabalhando todos os dias. Na verdade, nem pedi uma folga, pedi só para chegar às 18h30 e não às 17h no dia seguinte, porque eu precisava ir no médico. O dono do restaurante, um argentino, começou a gritar comigo, disse que eu só queria tirar dinheiro dele, que eu tava atrás da grana. Falou que eu tava no olho da rua, e eu disse 'vou sair pela porta da frente, que nem eu entrei. não fiz nada de errado.' Fiquei tão mal que fui parar no hospital, não conseguia mais sair de casa. Reclamei no sindicato, mas disseram que eu tinha direito a (XXX) reais, uma mixaria. Não fizeram ele pagar hora extra, que eu sempre fazia, nem nada. Os lojistas daqui dão dinheiro pro sindicato. [ELA SAI, DEPOIS VOLTA] Esses dias fiquei sabendo que ele [o argentino] tá no hospital em Fortaleza. Vai perder a perna. Ele teve calo seco e decidiu cortar com a faca ele mesmo, mas tinha diabetes. E eu fiquei um tempão no mato colhendo planta pra fazer um remédio pra ele. Mas, quer saber, eu não desejo mal pra ele nem pra ninguém. Não mesmo. Mas Deus tá acordado."

23 Dezembro 2010

Onde nasce o preconceito

Já sofri preconceito por ser judeu, mas o fato de ser heterossexual e branco me poupou das discriminações mais frequentes da sociedade brasileira. Tenho certeza disso quando vejo as agressões a gays em São Paulo (a mais recente, a duas meninas, nesta quarta) – que sempre existiram, mas agora estão chegando à mídia.

Vou partir do princípio que todo preconceito é burro. O que leva alguém a odiar o outro por ser diferente? A se incomodar com a presença de algo que essa pessoa foi treinada a não aceitar? Preconceitos resistem aos séculos, pois apelam para algo além da razão: o sentimento de que existe um padrão ideal de ser e de se comportar.

No meu colégio particular de classe média, em Campinas, existiam duas negras, um negro e uma mulata. Calculo que deveria haver quase mil alunos. E todos sabiam quem eram os não-brancos. E, às suas costas, faziam piadinhas "inofensivas", que não haviam surgido de suas cabeças, mas sim de seus pais, dentro de suas casas.

Sim, pois o preconceito vem de criação. Vem dos pais, que fazem questão de falar ao filho que alguém é negro ou nordestino ao contar uma história ou de que o cabeleireiro é gay, após saírem de seu estabelecimento. Vem do tio, que, ao seu lado, grita "preto filho da puta" para o juiz de futebol e marca indelevelmente aquilo em sua infância, quando seu caráter ainda está sendo formado.

Vem das igrejas, as maiores disseminadoras de preconceitos da história. O amor ao próximo, aparentemente, não se aplica aos gays. E, tal qual em um livro de Direito, se usa a Bíblia para encontrar brechas para poder odiar.

Vem dos atores e cantores e políticos que não saem do armário, e, quando perguntados, negam que são gays, perpetuando o sentimento de que seria errado sê-lo. Preferem uma carreira segura a uma lição à sociedade.

São preconceitos tão idiotas como os contra a maconha, por exemplo. Ninguém sabe por que se discrimina um usuário da erva – tem os mesmos efeitos da cachaça, por exemplo, que entorpece e faz mal à saúde, mas é legalizada. É criado o argumento de que financia o tráfico, mas não se apoia a descriminalização.

Mas o ódio não é algo racional. Quem discrimina não reflete. E um cara como Jair Bolsonaro é o mesmo que, em outros séculos, achava que judeus tinham de se converter ao catolicismo (ou ao protestantismo), ou ir para a fogueira.

E a moça que vibra com a eleição do Obama é a mesma que segura a bolsa mais forte quando entra um negro em seu vagão do metrô. E o cara que ouve Caetano é o mesmo que chama todos os nordestinos de baianos, como se pudesse ofendê-los.

2011 está chegando (no calendário judeu, 5771, no islâmico, 1432), mas a humanidade não parece amadurecer. E adora um bullying.

27 Novembro 2010

Sobre o desejo de ser popular

Dia desses estava refletindo sobre o que me compele a interagir no Twitter, com gente que não conheço, por algumas horas a mais do que eu gostaria e muitas mais do que eu deveria. Como qualquer livro caro de psicologia barata poderia dizer, tudo se origina na minha infância. Ou, no caso, na adolescência.

Nunca tive dificuldade em fazer amigos, mas nunca fui líder, nunca fui popular. Quem é popular tem carisma, algo que não se adquire, mas rapidamente se percebe. O mundo virtual, porém, se não anulou, diminuiu em muito a importância do carisma. Se você escreve coisas inteligentes ou tem uma anteninha hype mais aguçada que os outros, vai se dar bem no Twitter. E se dar bem nada mais é do que ter seguidores.

No fundo, é a escola "all over again". Quem tem seguidores é popular, quem faz amizade com quem é popular se torna popular. Pelo menos o bullying costuma ocorrer com quem escreve bobagens, e não com quem é diferente fisicamente, nos interesses (pelo contrário, ser nerd conta pontos) ou no modo de vestir.

Voltando ao trauma de adolescência: ser aceito no mundo virtual me daria a chance de preencher aquela lacuna, de ser popular. Mas... por que esta necessidade? Por que ser popular, por que preferir a aceitação efêmera de muitos ao carinho sincero de alguns? É por isso que estou saindo do Twitter em caráter irrevogável –> não, mentira, e não esperem uma conclusão brilhante – o post foi só uma reflexão, na tentativa de entender meu mais recente vício.

Para quem não via a hora de terminar a adolescência, como eu, segue um vídeo tremendamente inspirador, feito pelos funcionários da Pixar. Os depoimentos são de homossexuais, mas servem para qualquer um que se perguntava se havia luz no fim do túnel. Abs e me siga no twitter -> Não, não, bad dog



crédito do vídeo -> @domeniconicola

10 Novembro 2010

#esquerdaoudireita

Esquerda: a favor do (direito de fazer) aborto
Direita: "a favor da vida"

Esquerda: Android
Direita: iPhone


Esquerda: vegetarianismo
Direita: picanha

Esquerda: Sócrates (o jogador)
Direita: Eurico Miranda

Esquerda: carros elétricos e híbridos
Direita: Ford Focus

Esquerda: Teologia da Libertação
Direita: Opus Dei

Esquerda: Carta Capital
Direita: Veja

Esquerda: Ig
Direita: G1

Esquerda: Saturday Night Live
Direita: Fox News

Esquerda: Monica Iozzi
Direita: Marcelo Tas
Babaca: Marcos Mion

Esquerda: Garapa

Esquerda: Paulo Betti (aqui) e Tim Robbins (lá)
Direita: Regina Duarte (aqui) e Robert Duvall e outros (lá)

Extrema esquerda: Pol Pot
Extrema direita: Hitler

Esquerda: "paulista não sabe votar"
Direita: "nordestino não sabe votar"

Esquerda: Plínio, Rui Pimenta, Ivan Pinheiro e Zé Maria
Direita: Eymael
Centro: Serra, Dilma e Marina

08 Novembro 2010

BRAD PITT LOOP

"In-in terms of Cinemana Cimena Cimena Cinema!"
http://www.youtubeloop.com/v/9ev7Pq6Y9jI#s=33&e=37